O Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Norte (CRF-RN) manifesta seu repúdio à decisão da Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB) de proibir a participação de farmacêuticos no XXXIII Congresso Brasileiro de Homeopatia. Da mesma forma, lamenta a exclusão da Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas (ABFH) da organização das atividades científicas do citado congresso, o qual deve acontecer na cidade de Campo Grande (MS) em 2016.

A decisão da AMHB, inconcebível e descabida, mobilizou sobremaneira as redes sociais e preocupou bastante o CRF/RN em suas prerrogativas de exigir das demais Instituições de saúde, ações que priorizem o trabalho multidisciplinar e multiprofissional em fortalecimento ao atendimento em saúde pública. Para todas as profissões o desafio principal consiste em criar a possibilidade da atuação conjunta, integrada e intersetorial, que incorpore a participação dos usuários e traduza a nova concepção ampliada de saúde assumida pelo SUS. Permeabilidade, inovação e plasticidade são alguns dos pré-requisitos para romper com a visão hierarquizada, corporativa e parcializada do trabalho na área da saúde, hoje uma tendência mundial.

A segregação da categoria farmacêutica fragiliza o Congresso e enfraquece a AMHB, haja vista a importância do seu trabalho diuturno nessa área especializada, em especial no que tange ao tratamento individualizado, através do preparo do medicamento homeopático, especificamente preparado para cada caso. O trabalho em equipe multiprofissional é essencial como forma de tornar as ações mais resolutivas e abrangentes no campo da Homeopatia, onde o indivíduo é que deve ser o centro das atenções, respeitando suas singularidades e necessidades e não, uma só profissão.

A AMHB ao tomar tal posição torna-se uma entidade diminuída, uma vez que esta atitude excludente aos farmacêuticos homeopatas, não tem unanimidade na classe médica homeopática muito menos na sociedade que de longas datas reconhece e dignifica a atuação do farmacêutico em Homeopatia; ademais, tal posicionamento da AMHB está no sentido contrário da proposta filosófica da Homeopatia, onde os semelhantes se unem para proporcionar equilíbrio.

Neste sentido, o CRF-RN entende que o exercício da atividade farmacêutica na Homeopatia é legal, essencial nos serviços, e intrínseco ao direito e à defesa da saúde, por isso solicita que a AMHB reveja os seus posicionamentos de forma a não prejudicar a qualidade dos trabalhos e a contribuição científica sempre valiosa dos farmacêuticos nos fóruns de saúde e Homeopatia.

 

Dr. Sales de Araújo Guedes

Presidente do CRF/RN